quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

"Estou cansado de viver,de agir,de sentir para dar razão a um e a outro. Estou cansado de viver segundo a imagem que os outros fazem de mim. Escolho a autonomia, exijo a independência na interdependência."(Albert Camus - O Primeiro Homem)


                                       

Quero ser uma ilha !

"Eu não queria destruir nada, nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos sem causar alvoroço nem consequências." (Comer, Rezar, Amar)
 Eu sou uma mulher simples e nunca causei problemas a ninguém,mas não permito que me façam,eu me afasto. Dei sempre a todo mundo o benefício da dúvida,não deveria,mas dei. Hoje gostaria de viver numa ilha. Mudaram-me, sofri uma metamorfose tardia da vida. Desconfio do destino e acredito mais em mim.Já fui uma mulher alegre e sem grandes malícias,agora continuo alegre pela minha natureza de ser, entretanto atenta. Não sirvo o picadeiro de nenhum circo.
Se você desconfia que eu desconfio de você, não desconfie, tenha a certeza. Eu tenho a certeza que desconfio de você !
Os meus olhos,os meus sentidos não falham mais,assim como não falham os seus. O caminho é feito de cumplicidade e um mesmo olhar sobre o que buscamos. Trapacear é contra todas as regras de uma mesma convivência. Não é trapaceando ou copiando uma identidade que não é própria que chegamos à conquista honrosa do bem em comum. Palavras devem ser ditas e escritas com emoção, atos devem ser como passos que acompanham essas palavras. Passos aqui, palavras lá são desencontros de si mesmo e não preencherá nenhuma área de nossas vidas. Mesmo que as linhas não sejam retas podemos escrever uma história melhor e mais bela do que ao contrário seria. Não há aqui nenhuma lição. Há apenas uma nova visão e um novo olhar para o mesmo sentimento. O foco das nossas atenções são os mesmos,as visões são diferentes. Quando assim ocorre, melhor cada pessoa usar a bússola que lhe pertence e procurar um novo horizonte para uma nova parceria que nos complete. Seria extremamente, desolador tentarmos continuar com laços frouxos, devorando-nos ferozmente intimamente. Como disse Vergílio Ferreira em Conta Corrente 2 : "Tudo agora me acontece ainda, mas num registro diferente. Não é em si que as verdades envelhecem: é com as rugas que temos no rosto e na alma."(elpis)



                                

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Minha segunda paixão !

Hoje presto as minhas homenagens e o meu carinho especial aos fotógrafos.Fotografia é considerada a minha segunda paixão,ela vem depois das palavras.Embora não tenha o costume de fotografar sou admiradora desde que me conheço como indivíduo.Quando criança pedia para levarem-me até o centro da cidade para lá admirar em praça pública as exposições de fotos jornalísticas.Cresci e sempre que lá havia a exposição,eu estava.As admirava e fazia os meus sentimentos internos falarem dentro de mim,nelas eu colocava palavras.Nada e nem um detalhe era por mim escapado.Hoje não as utilizo, muito, como gatilho para a escrita,mas as uso como complemento das minhas palavras,ainda.Na verdade a questão maior é de que um fotógrafo não necessita das palavras para expressar as suas emoções,ele desperta a sensibilidade das pessoas para usarem as palavras como um "clic" das suas emoções.A imagem é a palavra e a emoção de um fotógrafo.Parabéns a todos e o meu carinho eterno.(elpis)
Retirei o texto e a imagem abaixo de "Imagens Históricas"-via facebook

 Foto de prisioneiros sendo liberados de um trem que rumava para o campo de concentração Bergen-Belsen, 1945.

A foto é chocante por si só. Em 1945, um trem, cheio de prisioneiros, rumava para o campo de concentração Bergen-Belsen, quando soldados americanos o pararam e liberaram as pessoas presas.

Na foto, uma prisioneira claramente emocionada corre em direção ao Major Benjamin, autor da foto. Também é possível ver outras pessoas, ao fundo, contemplando o sol, como a moça de braços abertos, felizes pela libertação.

Texto de Talita Lopes Cavalcante
Administração do Imagens Históricas

Foto: Major Clarence L. Benjamin


                             

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Poema Antigo.

"Está tudo planejado:
se amanhã o dia for cinzento,
se houver chuva
se houver vento,
ou se eu estiver cansado
dessa antiga melancolia
cinza fria
sobre as coisas
conhecidas pela casa
a mesa posta
e gasta
está tudo planejado
apago as luzes, no escuro
e abro o gás
de-fi-ni-ti-va-men-te
ou então
visto minhas calças vermelhas
e procuro uma festa
onde possa dançar rock
até cair"

(caio fernando abreu)


                                                   
Ter atitude é agir silenciosamente, com elegância, sem arrogância lançar fora tudo ou todo que nos incomoda e não suportar pessoas dissimuladas. Evitando-as estaremos protegidos de situações que eventualmente nos envolva emocionalmente. E seria um grave pecado contra nós mesmos amarmos uma fantasia, não é mesmo? Sei disso porque foi dessa água que eu bebi e quase morri. Afinal, são nos momentos que estamos com a alma agitada que as nossas emoções estão mais fragilizadas.(elpis)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Busco um amigo.

                         Busco um amigo… 
que me diga sempre a verdade,
que não camufle os seus defeitos e nem os meus,
que  não despreze as minhas lágrimas! 
Um amigo…
cuja a presença traga alegria, 
cujo o silêncio transmita paz, 
cuja a escuta inspire confiança,
cujo o sorriso dê esperança, 
cuja a lembrança infunda coragem de seguir adiante. 
Um amigo e companheiro…
ao qual eu possa dizer : desculpa ! Uma, duas, três vezes…quantas precisar e as aceite. 
Um amigo… 
que não me seja um mestre, nem discípulo, mas um companheiro com o qual eu possa caminhar
de mãos dadas rumo ao Infinito … 
em qualquer estação, em qualquer circunstância, em qualquer momento. 
Um amigo…
que conserve a sua intimidade sem esconder o seu pranto. 
Um amigo… 
que ao amanhecer não me diga "bom dia", mas me abra o seu coração com um amável sorriso!
Um amigo… 
que creia no amor e na amizade e viva com  audaz conquista de liberdade. 
Um amigo…
cuja amizade seja como o óleo doce, suave e perfumado,extraído do fruto amargo de uma árvore espinhosa. 
Um amigo… 
que não se esconda quando eu precisar e me procure se algo lhe faltar.
Um amigo… 
que acredite que o amo verdadeiramente e que o espero para deixá-lo contente. 
Um amigo…
que não deixe vazio o espaço conquistado por nós e o encha de calor ao retornar. 
Um amigo… 
que não queira medir forças para que possamos juntos sonhar e realizar.
Um amigo...  
que não se preocupe em dar ou receber, mas seja capaz de compartilhar. 
Um amigo…
simples, sincero, natural…capaz de chorar, mas sobretudo sorrir sempre. 
Um amigo… 
que seja uma centelha da bondade de Deus.(elpis)
          
                           

Maldito Sedutor !

(1ª publicação em 30/10/2010)

Estava com excesso de trabalho (graças a Deus)! Era uma época que o vil metal estava curto para as muitas despesas que rondavam a minha bolsa.  Despesas não previstas e dinheiro de menos. Lá fora o clima era de calor intenso e um clima agitado pairava em todas as pessoas, preparavam-se para os festejos de final de ano. Iniciava um trabalho grande e com data rigidamente prevista para o término. Minha meta era cumprir diariamente a correção e a revisão de duzentos textos. Fiquei feliz, afinal estava fazendo o trabalho que amo e estava rendendo uma boa grana.
No terceiro dia já estava revendo várias vezes o mesmo texto, levantando-me para alongar a cada 15 minutos e tomando muita água. Mantinha a minha meta em dia. O corre-corre da vizinhança, em casa e os muitos telefonemas perguntando-me onde iria passar o Natal,  já estava deixando-me intranquila. Repentinamente não conseguia mais concentrar-me na tarefa, além de estar preocupada com o estado de saúde da minha fragilizada cachorrinha que estava tão longe de mim, internada no hospital. Estupidamento iniciou-se o processo de uma ideia fixa e indagar-me e procurar a resposta do por quê das pessoas ficarem mais ansiosas nessa época, se é uma época de se manter a serenidade!? Queria a minha compensação, comemorar também mas sem gastos, então o correto não seria comemorar, sim celebrar. Foi quando ele surgiu na minha frente! No monitor no lugar do texto, imagine… -Não nessa hora não!- Pensei e desviei o olhar, levantei-me fiz alongamento, olhei a hora, 22 h, faltam 20 textos eu preciso terminar. O mais engraçado que justo neste mesmo instante meu estômago começou a reclamar, dirigi-me à cozinha vi uma banana comi  e tomei muita água, voltei ao PC. A imagem dele voltou novamente, descobri que o desejava mais do que nunca, ele era maravilhoso… dourado, sem barriga de tanquinho, melhor, rechonchudo e não era passado, estava no ponto! Meu ego estava ficando agitado. Ele dizia-me vá em frente mulher, encare-o, ele também lhe deseja muito. -Não, não e não! Vou terminar o trabalho.- Terminei e enviei com um suspiro longo, aquele sabor de dever cumprido e o poder da rejeição de não envolver-me a qualquer momento na sedução. -Tem de ser do meu jeito e na hora que eu quero-,pensei.
Olhei novamente a hora, 23h15min e ele continuava no meu pensamento. -Bom eu mereço, agora eu mereço, afinal estou trabalhando tanto etc e tal…-, aquelas justificativas todas que nos damos quando estamos por um fio de cometermos um dos sete pecadinho ditos capitais, as ditas frases de efeito para nos consolarmos. -Tele entrega, isto, tele entrega, vou mandar vir um bem charmoso! Um 'gastinho' não vai empobrecer-me muito mais-. Liguei para uma e pedi o serviço completo com tudo o que tinha direito. Disseram-me para aguardar que em 45 minutos chegaria. -Hum…- quando dizem o horário você desligue o telefone e dobre este horário, é sempre assim.
Fui tomar uma ducha e preparar-me com a roupa de dormir, escolhi a mais sensual que eu tinha, esperava com tanta paixão engolindo sofregamente a saliva que teimava em querer escorrer. Interfone tocando, saltei em um só pulo para ele e recebi-o de braços abertos. O entregador resolveu confirmar o pedido: -É aqui um filé com fritas?- Eu rapidamente retruquei: éééééé….- Fechei a porta e aquela maravilha colocada num recipiente térmico olhou-me completinho: ele, dois ovos e muitas batatinhas fritas. Atirei-me no sofá da sala e devorei tudo o que podia. Satisfeita fiz a higiene noturna e fui dormir, às duas horas da manhã.

Pesadelos muitos, ao acordar tonturas e dores de cabeça, mal… eu estava mal. Tive problemas gastrointestinal, sentia-me fraca e aborrecida porque não poderia dar conta da minha tarefa e minha meta diária. Cada vez que ele vinha na minha lembrança ia correndo para o banheiro para expelir o mal. Maldita gula, maldito ele! Passei mal durante dois dias, os trabalhos acumularam-se, passei a noite de Natal e do Ano Novo trabalhando por culpa de uma sedução.(elpis)