segunda-feira, 25 de outubro de 2021

"Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo que for desnecessário. Ando cansada de bagagens pesadas... Daqui para frente levo apenas o que couber no bolso e no coração."(Cora Coralina)

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

"Quem não sonha o azul do voo perde o poder de pássaro. É sonhar, mas cavalgando o sonho e inventando o chão para o sonho florescer." (Thiago de Mello)

sábado, 9 de outubro de 2021

Já colhi pitangas em campos secos

Já apalpei e cheirei flores sem ter jardim 

Já fiz de conta que não fui ofendida, quando ofendida fui 

Já ri de quem se dizia sábia para me aconselhar

Já sequei muitas lágrimas que não foram minhas 

Já procurei estrelas em noites de temporal

Já vi anjos cantando ao meu lado

Já dancei e cantei quando tudo se perdia

Já xinguei formigas por invadirem o meu açucareiro

Se me rotulam insana

Logo digo: 

Não !

Sou apenas uma sonhadora

Que não sabe fazer Poesia.(elpis)

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade."(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 25 de setembro de 2021

"Quando partiu, levava as mãos no bolso, a cabeça erguida.
Não olhava para trás, porque olhar para trás era uma maneira de ficar num pedaço qualquer para partir incompleto...

Não olhava, pois, e, pois não ficava.

Completo, partiu." (Caio Fernando Abreu)

sábado, 18 de setembro de 2021

Soneto do Amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...(Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Lições

Não aprendi a colher a flor

sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.

Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.

Careço da habilidade da onda,
hei de aprender a carícia da brisa.

Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.

Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.

Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.

Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim? (Mia Couto)