
segunda-feira, 25 de outubro de 2021
sexta-feira, 15 de outubro de 2021
sábado, 9 de outubro de 2021
Já colhi pitangas em campos secos
Já apalpei e cheirei flores sem ter jardim
Já fiz de conta que não fui ofendida, quando ofendida fui
Já ri de quem se dizia sábia para me aconselhar
Já sequei muitas lágrimas que não foram minhas
Já procurei estrelas em noites de temporal
Já vi anjos cantando ao meu lado
Já dancei e cantei quando tudo se perdia
Já xinguei formigas por invadirem o meu açucareiro
Se me rotulam insana
Logo digo:
Não !
Sou apenas uma sonhadora
Que não sabe fazer Poesia.(elpis)

sexta-feira, 1 de outubro de 2021
sábado, 25 de setembro de 2021
sábado, 18 de setembro de 2021
Soneto do Amigo
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...(Vinicius de Moraes)
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...(Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 13 de setembro de 2021
Lições
Não aprendi a colher a flor
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.
Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.
Careço da habilidade da onda,
hei de aprender a carícia da brisa.
Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.
Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.
Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.
Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim? (Mia Couto)
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.
Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.
Careço da habilidade da onda,
hei de aprender a carícia da brisa.
Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.
Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.
Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.
Quem sabe, um dia,
eu, em mim, colha um jardim? (Mia Couto)

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