"O meu vizinho do lado
Se matou de solidão
Ligou o gás, o coitado
Último gás do bujão
Porque ninguém o queria
Ninguém lhe dava atenção
Porque ninguém mais lhe abria
As portas do coração
Levou com ele seu louro
E um gato de estimação
Há tanta gente sozinha
Que a gente mal adivinha
Gente sem vez para amar
Gente sem mão para dar
Gente que basta um olhar
Quase nada
Gente com os olhos no chão
Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê
Porque é quase nada
Eu sempre o cumprimentava
Porque parecia bom
Um homem por trás dos óculos
Como diria Drummond
Num velho papel de embrulho
Deixou um bilhete seu
Dizendo que se matava
De cansado de viver
Embaixo assinado Alfredo
Mas ninguém sabe de quê"(Vinicius de Moraes)
Excelente poema, do não menos excelente Vinicius de Moraes, com mensagem de amor ao próximo que serve de alerta para que lancemos um olhar de carinho àqueles que carregam o pesado fardo da solidão. (elpis)
Sempre que nos sentimos leves e profundamente em paz significa que estamos completamente entregues. Com uma nova posição mental e longe dos velhos hábitos, não oferecemos resistência para novos sonhos e para que outra realidade aconteça.(elpis _/\_ )
Sou a tua casa, a
tua rua, a tua segurança, o teu destino. Sou a maçã que comes e a roupa
que vestes. Sou o degrau por onde sobes, o copo por onde bebes, o teu
riso e o teu choro, o teu frio e a tua lareira. O pedinte que ajudas, o
asilo que te quer acolher. Sou o teu pensamento, a tua recordação, a tua
vontade. E também o artesão que para ti trabalha, o medo que te
perturba e o cão que te guia quando entras pela noite. Sou o sítio onde
descansas, a árvore que te dá sombra, o vento que contigo se comove. Sou
o teu corpo, o teu espírito, o teu brilho, a tua dúvida. Sou a tua mãe,
o teu amante, o marfim dos teus dentes. E sou, na luz do outono, o teu
olhar. Sou a tua parteira e a tua lápide. Os teus vinte anos. O coração
sepultado em ti. Sou as tuas asas, a tua liberdade, e tudo o que se move
no teu interior. Sou a tua ressaca, o teu transtorno, o relógio que
mede o tempo que te resta. Sou a tua memória, a memória da tua memória, o
teu orgulho, a fecundação das tuas entranhas, a absolvição dos teus
pecados. O teu amuleto e a tua humildade. Sou a tua covardia, a tua
coragem, a força com que amas. Sou os teus óculos e a tua leitura. A tua
música preferida, a tua cor preferida, o teu poema preferido. Sou o que
significas para mim, a ternura que desagua nos teus dedos, o tamanho
das tuas pupilas antes e depois de fazer amor. Sou o que sou em ti e o
que não podes ser em mim. Sou uma só coisa. E duas coisas diferentes.
(Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'-retirado de Citador)

Dor? Alegria? Só é
simplesmente questão de opinião. Eu adivinho coisas que não têm nome e
que talvez nunca terão. É. Eu sinto o que me será sempre inacessível. É.
Mas eu sei tudo. Tudo o que sei sem propriamente saber não tem sinônimo
no mundo da fala mas enriquece e me justifica. Embora a palavra eu a
perdi porque tentei falá-la. E saber tudo sem saber é um perpétuo
esquecimento que vem e vai como as ondas do mar que avançam e recuam na
areia da praia. Civilizar minha vida é expulsar-me de mim. Civilizar
minha existência a mais profunda seria tentar expulsar a minha natureza e
a super natureza. Tudo isso no entanto não fala de meu possível
significado.
O que me mata é o quotidiano. Eu queria só exceções. Estou perdida: eu não tenho hábitos.
(Clarice Lispector, in 'Um Sopro de Vida')
"Enquanto você não tornar o seu inconsciente consciente, isso irá controlar sua vida e você chamará de destino." (Carl Jung)
"Às vezes a gente tem que se distanciar do papel para chegar ao desenho todo com mais clareza." (2 coelhos-filme)
" Porque eu fazia do
amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as
compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que
se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que
amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a
solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é
também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque
sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É
porque no fundo eu quero amar o que eu amaria – e não o que é. É porque
ainda sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É
também porque me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam
com brutalidade, pois sou muito teimosa."
(Clarice Lispector, in 'Felicidade Clandestina')